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MPRS debate prevenção da violência extrema e riscos digitais que afetam crianças e jovens

 

Os desafios contemporâneos ligados à propagação da violência extrema, ao consumo excessivo de telas por crianças e adolescentes, às novas dinâmicas de radicalização e às estéticas digitais que mascaram conteúdos violentos foram temas do seminário “Precisamos Falar sobre Violência”, promovido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) nesta sexta-feira, 20 de março. O evento, realizado por iniciativa do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE) e por intermédio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), reuniu membros do MPRS, forças de segurança, pesquisadores e profissionais da educação para discutir práticas, riscos e mecanismos de prevenção.

O destaque da programação foi o Projeto Sinais, iniciativa criada pelo MPRS para identificar, analisar e compreender comportamentos e indicadores presentes em crianças e adolescentes que podem estar associados ao risco de envolvimento em episódios de violência extrema. A partir de metodologias próprias, capacitações e articulação com redes de proteção e segurança pública, o projeto transformou a forma como tais sinais são detectados e trabalhados pelas instituições.

A abertura do seminário contou com a participação do procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, que ressaltou a relevância do Projeto Sinais e o impacto dos resultados alcançados: “Quero registrar minha alegria ao ver esse auditório lotado por pessoas que representam poderes, instituições, a sociedade civil, todas envolvidas em um grande objetivo, que é garantir segurança para as crianças e os adolescentes. O Projeto Sinais tem resultados importantíssimos, porque passamos a identificar e conversar sobre esses sinais que as crianças e adolescentes arregimentados para episódios de violência extrema apresentam e que antes não conseguíamos entender e captar. Desde o início dessa empreitada, enfrentamos 703 eventos, cumprimos 69 mandados de busca e apreensão decorrentes das informações e investigações realizadas pelo MPRS em parceria com os órgãos de segurança pública. Realizamos 162 capacitações, envolvendo quase 20 mil pessoas em 272 municípios gaúchos.”

Logo no início da programação, o coordenador do NUPVE e do Projeto Sinais, procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, apresentou o painel “Cutgore: a camuflagem da violência”, fenômeno que tem ganhado espaço nas plataformas digitais e exigido atenção redobrada das famílias, escolas e instituições públicas. O procurador explicou que o cutecore/cutgore é uma subcultura baseada em uma estética suavizada que mascara conteúdos como sadismo, automutilações, transtornos alimentares, satanismo e outras práticas extremistas.

Segundo ele, o cutgore utiliza cores suaves, elementos infantis, personagens “fofos” e símbolos aparentemente inofensivos para criar uma ponte enganosa entre o inocente e o violento, o que facilita a circulação desse material entre crianças e adolescentes e reduz a percepção de risco. Fábio Costa Pereira destacou: “Estamos diante de uma estética que seduz pela aparência, mas adoece pelo conteúdo. Entender o cutgore é fundamental para que famílias, escolas e instituições consigam enxergar além do que é ‘bonitinho’, identificando riscos reais que muitas vezes passam despercebidos.”

A programação teve outros painéis que ampliaram o debate sobre prevenção, investigação, comportamento e consumo digital.

Além do procurador-geral de Justiça e do coordenador do NUPVE, fizeram parte da mesa de abertura do evento os subprocuradores-gerais de Justiça Heriberto Roos Maciel e Alessandra Moura Bastian da Cunha; o secretário-geral do MPRS, João Ricardo Santos Tavares; a ouvidora das Mulheres do MPRS, Denise Casanova Villela; o presidente da AMP/RS, Fernando Andrade Alves; o representante da Corregedoria-Geral do MPRS, Thomás Henrique de Paola Colletto; o representante do Tribunal de Justiça, Leonardo Vanoni; o secretário municipal-geral de Governo Adjunto, major Gelson Guarda; o chefe da Casa Militar do Estado, coronel Luciano Chaves Boeira; o chefe de Polícia do Estado, delegado Heraldo Chaves Guerreiro; e o representante da OAB/RS, Roque Reckziegel.

Fonte  MPRS.


Entre no Flickr do MPRS para acessar as fotos do evento, clicando aqui .


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